O sol na nossa arquitetura

Sylvio E. de Podestá
publicado no livro Casas

O sol é uma das nossas principais fontes de vida. Mas é também um dos elementos da natureza com o qual devemos ter mais cuidado em relação à nossa saúde. Composto de vários tipos de ondas de luz algumas filtradas pela camada de ozônio, tem em sua composição alguns tipos de raios sobre os quais devemos prestar mais atenção, pois o excesso de exposição, ou mesmo sua incidência, podem nos causar sérios danos.

Quando vamos a praia, sabemos que aquele sol forte de onze às duas da tarde não é o melhor, como também sabem os fotógrafos, pois neste horário e por causa de alguns destes raios, as cores das fotos podem ser alteradas.

Na arquitetura, e muitas vezes por sua causa, o sol é elemento definidor de formas, posição da construção no terreno, aberturas, proteções e, mais recentemente, como fornecedor de energia tanto elétrica células fotoelétricas quanto calorífica coletores solares, como são comumente conhecidos.

Mas o que nos interessa é conhecer os procedimentos que devemos tomar quando estamos projetando. No nosso hemisfério, o sol nasce no leste, caminha em curva abatida a não ser no equador que é quase totalmente ortogonal pelo norte e morre no oeste. O leste é nossa principal fonte de “bom sol” e é para ele que devemos orientar nossos cômodos que necessitem de uma purificação matinal, como é o caso dos nossos quartos, quartos hospitalares, salas etc. e é com ele, até lá por volta de 9:30 horas, que contaremos para a limpeza natural destes ambientes. O sol “norte” é um sol que vai da posição nordeste à noroeste e, em algumas épocas do ano, é muito quente e devemos nos proteger dele, sem contudo evitá-lo.

No inverno e principalmente em regiões mais frias de nosso estado, ele é muito necessário para o pré-aquecimento de nossos prédios, dando à noite maior proteção contra o frio. Em outras épocas deverá ser feita uma proteção mas contida, controlada, existindo várias formas de fazê-lo como com as nossas conhecidas varandas, janelas com cortinas e/ou venezianas e, com uma invenção deste século, o brise soleil, ou brise, placas verticais ou horizontais ou ainda verticais e horizontais, combinadas, que amenizam quando fixas ou protegem totalmente quando móveis desse sol.

Mas o pior por mais bonito que seja o crepúsculo é o sol oeste. De forte incidência e luminosidade, deve ser sempre evitado e, se isto não for possível, devemos direcionar os cômodos de média e pequena permanência para esta orientação, como os casos de áreas de serviço, banheiros, depósitos, garagens etc.
No caso de residências, proteções vegetais como árvores de sombra densa ou arbustos são bastante usados e com resultado estético perfeito. Toldos plásticos, de tecido ou de metal menos recomendável são outros exemplos.

Existem estudos sobre o sol e cartas solares que nos permitem calcular todos os momentos do sol em relação a sua incidência em nossos prédios, possibilitando analisar a colocação da construção da melhor forma, calcular as sombras, ou sua incidência quantitativa e de tempo; servem também, por exemplo, para localizar a piscina, a horta etc. e, fundamentalmente, sua incidência sobre as construções vizinhas, para que possam continuar a receber o sol a que têm direito. Na verdade, as leis de uso e ocupação dos solos deveriam exigir este tipo de estudo e, a partir dele, só permitir a construção de edifícios se ele provar que seus vizinhos recebem pelo menos uma quantidade mínima de sol por dia, sem interferência desta nova obra. Não podemos atrapalhar outras pessoas e esta é uma postura ética-social da maior grandeza.

Então, quando da construção do nosso edifício casa ou prédio ou quando da compra de imóveis já construídos ou em construção devemos prestar a maior atenção na incidência do sol que, como já vimos, é regra básica para um bom morar e para uma boa convivência social.

O sol é muito mais importante do que a tábua corrida na sala ou as bancadas de mármore; meros detalhes.

Sylvio E. de Podestá

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