Portal de Entrada (Carlos Alenquer)

Não fosse o Brasil essa coisa difícil, e reflexões como estas provocadas por um arquiteto humanista (ainda existem!) como Sylvio E. de Podestá seriam comuns nas livrarias, nas bancas de revistas, nos bancos escolares.

Como é, casas aparece no cenário p&b de nossas cidades qual um ovni brilhando no universo da mesmice, da postura pseudo-acadêmica, das fogueiras, das vaidades e das cinzas em que nossa subserviência cultural transformou a discussão instigante e corajosa do que realmente conta.

Ainda bem que, graças às raízes deste mineiro de Goiás, a polêmica é reacendida e explorada nos escritos que seguem, divididos em duas partes (uma, digamos, teórica e outra, digamos também, prática).

Mas não esperem que Sylvio fale apenas de arquitetura. Mais do que isso, casas trata para além do bê-a-bá e do transcendental dos acertos e vulgaridades profissionais, de nossa vida em sociedade, de nossas idiossincrasias, de nossos sonhos equivocados, de nossos deuses vestidos de vidro fumê e telhas coloniais.

Para isso, Sylvio organizou um léxico (melhor seria dizer glossário?), fez comparações, deu palpites, questionou a ética reinante, provocou os teóricos de griffe, brincou de psiquiatra (ele diz que foi de psicólogo), falou do status que perseguimos (passaporte indispensável para a aceitação social) e ainda nos ofereceu, como refresco, palavras sobre as cores, calores e goteiras que fazem parte do nosso dia-a-dia de moradores compulsórios.

É o mínimo que se pode dizer, como introdução, sobre o que vai acontecer a seguir. Viajar ou não no diálogo que casas propõe será escolha de cada um.

Carlos Alenquer
publicado no livro Casas

 

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