Pampulha 13 – memória

12 CARTAS E UM CARTÃO

Esta seleção de cartas, entre tantas que a Pampulha recebeu ao encerrar suas atividades, é uma amostra significativa do quanto à revista preencheu um espaço criado pela inquietação cultural e intelectual de seus leitores.

Lembrando um velho slogan, “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”, os editores orgulhosamente recordam que nenhum assinante pediu seu dinheiro de volta, quando a revista saiu de circulação. Todos preferiram receber, em troca, números atrasados, e deixaram claro isso em suas cartas.

O cartão? Bom, este é de Carlos Drummond de Andrade, agradecendo uma homenagem da revista.

Quem agradece somos nós.

Belo Horizonte, 16 de agosto de 1984

Caro Leitor,

Vimos por meio desta comunicar-lhe que a revista Pampulha interrompe sua série a partir de agora, devido a insuperáveis dificuldades financeiras decorrentes da difícil conjuntura econômica pela qual passa o nosso país.

Durante os seus quatro anos de existência, a revista Pampulha procurou ser um canal de divulgação das manifestações culturais originadas em Minas e também em outros locais, nas áreas da arquitetura, do urbanismo, da arte, do design, do patrimônio histórico e do melo ambiente. Numerosos arquitetos, artistas plásticos, escritores, poetas e intelectuais, povoaram as páginas da revista até o seu número 12.

Aos assinantes que não tenham recebido suas assinaturas completas, vimos informar que poderão optar por distintas modalidades de ressarcimento de seus créditos:

1) devolução da assinatura correspondente aos números não recebidos;
2)recebimento de números já publicados (disponíveis os n°s 1,
3, 4, 6, e 7);
3) recebimento da parte em números atrasados e parte em dinheiro.

Solicitamos que nos informe até no máximo 60 dias sobre qual opção que mais lhe convém.

Manifestamos nossa convicção de que d revista que ora interrompe cumpriu um importante papel de fomento cultural e de divulgação do pensamento de um determinado período histórico e a nossa esperança é de que esta atividade possa ser retomada dentro de conjuntura mais favorável.

Agradecemos o apoio que recebemos de V. Sá, e a confiança em nós depositada e continuaremos a divulgar o pensamento desta geração através de livros e publicações avulsas.

Atenciosamente,

Os Editores.

São José dos Campos, 1° de dezembro de 1984.

Senhores,

É com pesar que recebi a notícia do interrompimento da série da revista Pampulha.

(…) Quero também manifestar minha confiança de que, uma revista que se preocupou seriamente em divulgar o pensamento cultural de uma época, não tardará a ser reeditada. Agradeço a atenção e espero estar sempre em contato com as publicações por vocês publicadas.

Atenciosamente.

Dirvolino Ferreira da Rosa Neto.

Belo Horizonte, 18 de setembro, 1984.

É com profunda tristeza saber dessa paralização (ou interrompimento passageiro) de uma revista de bom nível e, além de tudo, mineira, nossa; nossa querida Pampulha.(…)

Eisenhower Medeiros Brito.

Niterói, 21 de janeiro de 1985.

Com pesar recebi a comunicação do encerramento da revista Pampulha, fato que abre um verdadeiro buraco na editoração e no pensamento sobre a arquitetura e o urbanismo no Brasil atual.

Em resposta à pergunta de que modalidade de ressarcimento quanto aos números por receber, prefiro ter mais alguns exemplares da revista. Será uma oportunidade de, no futuro, oferecer um presente para um amigo. Assim, solicito os três últimos números disponíveis, correspondentes aos que ainda teria por receber, conforme o recibo de assinatura n°256, de 23/05/84 p. p.

Esperando pela restauração e reaparecimento da revista, atenciosamente,

António Sérgio de Oliveira Vionna.

Prezados senhores:

Foi com grande pesar que recebi q comunicação do último número da revista Pampulha. Realmente é lamentável que a atual conjuntura econômica tenha provocado mais esta perda, dentre tantas outras, de divulgação cultural tão necessária à formação de nós, estudantes, bem como à conscientização dos trabalhos que vêm sendo realizados no país pêlos profissionais atuantes. (…) Faço votos que em um período muito breve nossas atividades venham a ser retomadas e ficaria grata de quando de tal oportunidade ser informada para que, com satisfação, possa continuar a apoiar vocês. Atenciosamente,

Maria Rosa Madeira, São Paulo. 7/dezembro/84.

Senhores Editores:

Eu, como estudante de arquitetura, perdi muito com a interrupção de sua publicação. A revista Pampulha sempre me foi o elo e o referencial da arquitetura contemporânea emergente no país. A atualidade, a urbanidade e a elegância de suas páginas ampararam minha angústia nos momentos críticos de minha especulação e aprendizado arquitetônico, contra o ranço daquele antigo e dogmático movimento ao qual a maioria dos arquitetos, professores e editores ainda pertence. Eu torço para que vocês voltem brevemente ao mercado e ao campo onde possamos prosseguir no questionamento do “estabilishment”.

Marceki G. Black. São Paulo, 07/10/84.

Prezados Editores:

Temia receber a notícia, comunicada através da carta de 16 de agosto. É pena que não baste apenas o entusiasmo. Tenho assistido relevantes esforços sucumbirem sob o peso das dificuldades materiais. Um dia as coisas terão que mudar. Nada tenho a cobrar. Recebi muito mais do que valem os míseros cruzeiros de assinatura. Poro mim foi suficiente sentir a dedicação com que produziam a simpática Pampulha e perceber que resistiam bravamente para continuar cumprindo a tarefa.

Manifesto meu apreço a toda a equipe e agradeço a oportunidade de ter podido conhecer um pouco das manifestações que se propuseram a divulgar.

Atenciosamente,

Hélio Posta.

Muriaé, MG, 22 de agosto de 84.

Caríssimo Éolo:

Agora é chegada a hora das homenagens – a todos vocês; Pampulha não morre, pois está vivo em tudo de bom que vocês fizeram e, tenho certeza, haverão de fazer. Para nós, profissionais, que tivemos a coragem e a ousadia de retornar mos ao interior, e trazer o idealismo da nossa Escola de Arquitetura. Aquela comunicação silenciosa (Pampulha) era o enlevo que às vezes precisávamos. Pampulha renascerá, como meu apoio se necessário for. Do companheiro de infortúnio,

Horácio Telêmaco.

Varginha. 29 de agosto de 1984.

Srs. Editores;

Senti muito a interrupção da série da revista, pelo grande serviço que ela presta aos arquitetos, colocando-nos a par dos manifestações culturais de Minas Gerais, nos campos de nossos interesses, atualmente tão pouco discutidos em nossa classe, principalmente nas cidades do interior. (…) Aguardando a volto da revista, agradeço pelo muito que vocês já fizeram.

Eneida Carvalho Ferraz Cruz.

Goiânia, fim-de-maio 84.

Prezados amigos da revista Pampulha:

Foi muito bom ter estado aí com vocês. Apesar do curto espaço de tempo, deu pra sentir e ver o excelente trabalho que vocês estão desenvolvendo. O Odilon voltou comentando a ‘Casa sem teto’, que tem aquele teatro de arena numa das portas de saída (ou de entrada?). O espaço de lazer para crianças, todo resolvido a partir da idéia das gaiolas, enfim, as coisas todas que vocês nos mostraram. Estamos aqui, vendo e lendo mais com a Pampulha.

Esperamos que seja possível fazer alguma coisa juntos; não apenas a entrevista, mas uma coisa mais ampla, onde a gente possa trocar Idéias e trabalhos. Tenho várias coisas pensadas a nível de espaço urbano, algumas até já mais realizadas, e tenho certeza de que é possível estabelecer uma ponte sobre esta distância GO-BH. Escrevam

Em anexo, algumas coisas sobre o meu trabalho. Os posters seguem em outro volume, no cartucho, pró não amassar.
É isso aí, um grande abraço e força pra todos.

Do amigo,
Siron Franco.

Londrina, 7 de fevereiro de 1983.

Caro Editor:

Tentando retomar os contatos verbais mantidos no XI Congresso de Arquitetos – Salvador, vimos pelo presente firmar o nosso propósito de estreitar o relacionamento de vossa revisto com o nosso curso, através da entidade representativa, o C.A.C.A.U. (Centro Acadêmico do Curso de Arquitetura e Urbanismo).

Reconhecendo o papel que vossa revista desempenha hoje na consolidação de uma imprensa especializada sobre arquitetura e urbanismo e, compreendendo a importância de contato cotidiano com tal publicação, no desenrolar de nossa formação, vimos pelo presente reafirmar o pedido de sermos agraciados com uma assinatura dessa importante revisto. (…)

Eduardo M. Suzuki (presidência) e Ademir P. Santos (Secretaria).

Rio.03/08/83.

Prezados Senhores,

(…)

PS/ Serio indelicado de minha parte não parabenizá-los pela excelente revisto, conteúdo – sim, conteúdo: coisas para ler, pensar, aprender. Também, pela inclusão de um espaço
para o desenho industrial. É muito importante continuar abrindo espaço aos estudantes. Parabéns!!!.

Arquiteto Marco Aurélio F. de Souza.

A Sylvio E. de Podestá,

Num abraço, o comovido agradecimento de Carlos Drummond de Andrade pela homenagem da revista Pampulha.

Rio, XI, 1982.

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