Pampulha 13 – memória

Não era fácil fazer a revista, mas era divertido. Embora alguns editores tivessem a preocupação com o texto mais jornalístico e pretendessem fazer uma revista melhor administrada, o grupo nunca teve perfil empresarial. Não se pagava direito autoral, a distribuição nas bancas geralmente atrasava e quase sempre era feita pelos próprios editores que lotavam os porta-malas de seus carros e saíam pela cidade se lembrando de alguns pontos de venda e esquecendo-se de outros. O mesmo acontecia com relação aos assinantes, que não vacilavam em escrever aos editores sempre que não recebiam suas revistas, ou quando havia atraso suficiente entre um número e outro, para provocar a saudade dos leitores.

Por outro lado, as festas de lançamento eram unanimemente consideradas ótimas. Aos lançamentos se sucediam noites de comentários polêmicos, discussões acaloradas, algumas brigas e rompimentos que eram “contratados” nas mesas de bares da cidade.

Fazer a revista, portanto dava poder e influência sobre a opinião pública. Demonstração disto foi o processo contra a revista, movido por um irado diretor da Escola de Arquitetura da UMFG, descontente com as opiniões emitidas por seus editores. Este processo obrigou um dos colaboradores da Pampulha a sair temporariamente de circulação, o que passou para o folclore da história da arquitetura de Belo Horizonte. De acordo com os editores da revista, as matérias eram críticas, mas não chegavam a ser ofensivas.

Sintetizando o trabalho daqueles anos, pode-se dizer que o melhor da Pampulha foi a Pampulha, ou seja, foi fazê-la.

Mesmo com o fotolito ruim, a impressão deixando a desejar, erros de revisão que insistem em aparecer, Pampulha valorizou a arquitetura, a arte, o design e o meio ambiente, difundindo a idéia de que publicar é importante e possível.

Porém, alguns “mal-agradecidos”, depois de experimentarem o gosto de publicar, passavam o reclamar da qualidade da revista.

Hoje tais reclamações divertem a equipe da Pampulha, que as entendem como um resultado positivo de seu propósito de criar, nos arquitetos e produtores de cultura da cidade. A necessidade de mostrar os seus trabalhos, idéias, viagens etc.

Este pode ser um dos motivos pelos quais os leitores de todo o país escreveram cartas protestando contra o encerramento das atividades da revista Pampulha.

A matéria sobre a revista Pampulha, Pampulha 1, é certamente uma dívida cultural no cenário mineiro principalmente – mas que vai resgatar também, em outras esferas, parceria do fazer intelectual, no campo da arquitetura, design, arte e meio ambiente, com o qual a revista marcou os anos 80.

Neste ano de 1994, quando se completa uma década do último número (12) da Pampulha, seus editores pretendem, com a publicação desta matéria histórica, anunciar sua proposta em favor da transparência dos encontros, da comunicação entre os que fazem de seu trabalho um espaço dos desejos, dos sonhos, do prazer e, sobretudo da construção de outro projeto para a segunda metade destes anos 90.

Respostas
– A publicação da matéria sobre a revista Pampulha reúne, através de uma visão global que inclui o seu papel social e cultural, elementos capazes de responder a perguntas que situam, de maneira inequívoca, a presença da publicação no contexto em que era editada.

O que foi o melhor da Pampulha? Esta pergunta aborda a posição que a revista tomou, em diversas circunstâncias: temas polêmicos; principais bandeiras levantadas; antecipações de perspectivas que vieram a transformar a arquitetura e a cidade; linhas e abordagens de questões essenciais na sua área, como por exemplo, patrimônio, preservação, meio ambiente, transporte, paisagem urbana etc., com as quais seus colaboradores marcaram posição, ou seja, definiu em suas escolhas a escolha da cidade que se queria fazer.

Qual a Pampulha que não foi lida?
A segunda pergunta remete a matérias inéditas que recuperam o outro lado do cenário, aquele não visto, não discutido, mas que fez efetivamente parte do vivido, do passado e do elaborado, além de permitir conhecer o contexto das seleções e suas diversas trilhas no campo editorial.

Finalmente, a pergunta: – Como funcionavam os bastidores da Pampulha? Quem fez, quem escreveu, quem montou? Como a Pampulha era vista? Os encontros, as trocas de idéias, as polêmicas, as mesas de bar, as amizades, os rancores. O espírito do grupo e o conhecimento de seus caminhos antes, durante e depois de se cruzarem, de 1979 a 1984, nas páginas da revista.

Circulação – Pampulha circulou em setenta e duas cidades, incluindo Belo Horizonte: em Minas, tinha assinantes em Varginha, Ouro Preto, Muriaé, Uberlândia. Contagem, Ouro Branco, Cachoeira do Campo, Ituiutaba. Formiga, Diamantina, Ubá, Governador Valadares e Ipanema; em São Paulo, na Capital e nas cidades de Bebedouros. São José dos Campos, Santos, Campinas, Ribeirão Preto, Carapicuíba, Jaboatão,São Bernardo do Campo, Cerquilho, Jacareí, Jaboticabal, Franca, Araraquara, São Miguel Paulista, Arujá, Presidente
Prudente, Leme, Taubaté, Sorocaba, Bauru, Barretos, São José do Rio Pardo, Penápolis, Piquete, Jardim Taboão; no Estado do Rio, Niterói, Itaperuna,Barra Mansa,Valença, Nova Iguaçu e Rio de Janeiro; no Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria, São Leopoldo, Passo Fundo; no Paraná, em Londrina, Curitiba e Maringá; em Santa Catarina, Florianópolis; Goiás, Goiânia; Maranhão, São Luiz e Imperatriz; Paraíba, João Pessoa e Campinas Grande; Mato Grosso do Sul, Campo Grande; Alagoas. Maceió; Espírito Santo, Vitória: Pará, Belém; Pernambuco, Recife e Olinda; Bahia, Salvador: Brasília-DF; e Fortaleza, Ceará. No exterior, Pampulha chegava a assinantes de Washington (EUA), Berlim (Alemanha) e Santiago de Compostela (Espanha).

Anunciantes – Embora não tivesse um Departamento Comercial em moldes profissionais, Pampulha chamou a atenção, como veiculo, de vários clientes, que anunciaram na revista: Brasilit, Sea Turismo, Mineração Lapa Vermelha, Acesita, Fiat, Natura. Caixa Econômica Federal, MBR, DER, Centro Ótico, Eucatex, Premo, Exata, Cemig, Copasa, Minart, Mero (Mannesmann), Tapeçaria Marcelo, Il Bagno, Alcan, Caparaó e Prefeitura de Belo Horizonte.

Temas – A seguir, as matérias que respondem às perguntas feitos acima: o melhor; o que não foi publicado: e quem fazia a Pampulha. É a Memória – Pampulha 13.

Estes nomes fizeram a Pampulha. (Aqui, pela ordem de entrada em cena.)
Álvaro Hardy (Veveco), Ana Maria Schmidt, Eduardo Tagliaferri, Éolo Maia, Francisco Moreira de Andrade Filho, Herbert Teixeira, José Carlos Laender, José Eduardo Ferolla, Maurício Andrés Ribeiro, Miguel Vorcaro, Nathan Rosembaun, Otávio Ramos, Paulo Laender. Reinaldo Guedes Machado, Ronaldo Massoti Gontijo, Sylvio Ernrich de Podestá, Uziel K. Rozenwajn, Vitor Almeida, Ana Beatriz Campos, Carlos Alexandre Dumont (Carico), Freuza Zechmeister, Luiz António Fontes Queiroz, Marcus Vinicius Meyer, Mariza Machado Coelho, Paulo Greco, Rogério Franco, Sandra Nankran, Saul Vilela, Thais Cânfora, Thales Siqueira, Altino Barbosa Caldeiro, Jô Vasconcellos, Angélica Rodrigues Silva, Raul Abujanra, Rogério Magalhães, Cícero Silva Júnior, Luiz Carlos de Assis Bernardes, Márcio Pita Moreira, Mário Vale, José de Anchieta Corrêa, Affonso Romano de Sonfanna, Fernando Gabeira, Cristina Natalie Bergman, Beto Massinha, Régis Gonçalves, Guido Rocha, Newton Silva, João Delphino, Thales Siqueira, Odilon Araújo, Frederico Morais, Capitão, Alda Stutz, Marcos Coelho Benjamim (Benja), Priscila Simões, José Luiz Pederneiras, Fernando Brant, Cláudio Martins, Paulo Augusto Gomes, Paulinho Assunção, Adão Ventura, Roberto Barros de Carvalho, Heloisa Gama de Oliveira, Luiz M. Pereira, Marcelo Moreira, Lourivol Caporali, Sônia Barbosa, Gilberto de Abreu, Pedro Paulo Delpino Bernardes, Luiz Márcio Pereira, Flávio Grilo, Fernando Ziviani, Marcelo Moreira Xavier, Marco Otávio Teodoro (Marão), Lúcio Libânio, Roberto Luiz Monte Mor, Carlos António Leite Brandão, Eustâquio Soares, Lor, Murilo Antunes,Márcio Ferreira, Martim Francisco Coelho de Andrade, Ricardo Mineiro (Cadinho), Eduardo Barroso, Alceu Castelo Branco, Marcos Fonseca Emídio, Paula Castelo Branco, Yolanda Pignatari, Maria do Carmo Mansur, Lu Bertoni, Ricardo Prata, Marcelo Resende, Alonso Lamy, Eduardo Pardal, João Diniz, Júlio B. Gomide, Murilo Rubião, Rui César dos Santos, Hildebrando Pontes, Apoio Lisboa, Rodamés Teixeira, Romi Mandil, Lídia Avelar Estanislau, Alceglon Monteiro, Pedro Paulo Gabriel, Francisco Iglesias, Eunice Impeilizieri, Helena Greco. José Reinaldo de Lima, Renato Dourado, Marilene & Ricardo, Sérgio Ennes, Mônica Sartori, Rodrigo Andrade, Fernando Porta, Flavio Carsalade, Juon Carlos Di Fillipo, Tânia Oberlaender, Jorge Asian, Rodrigo Godoy (Guga), A. L. M. Andrade, Sérgio Santana, Edmundo de Werna Magalhães, José Gonçalves Dias, Paulo Vilara, Armando e Rosa Wood, Raul Córdula, Luiz Alberto do Prato Passaglla, Sérgio Machado, Luiz Gonzaga Scortecci de Paula, Maria Luiza Cardoso, Celton (Lacarmélio Alfêo de Araújo), Gil César Moreira de Abreu, Adalgisa Arantes Campos, Jorge dos Anjos, Anamélia, Sérgio Trópia, Wander Pirolli, Suzy de Mello, Arnaldo de Meira Carvalho, Augusto Sarreiro Auler, Cláudia Rodrigues da França, Cláudio Vieira Rocha, Flávio Chaimowicz, Luiz Beethoven Pilo, Fabiano Lopes de Paulo, Gisele Rocha Silva, Roberto Drummond.

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