Abrindo vagas na UTI

Em 1992 projetávamos (eu e Júlio Araújo Teixeira) para a Mendes Junior Edificações e uma das tarefas era executar “projetos prospectivos” um tipo de projeto para servir de análise para parcerias, compra de terrenos, tipologias e outras estratégia do mercado imobiliário. Um destes projetos foi um grande conjunto residencial em Natal (terra que adoro) ao lado do que seria um shopping center, na principal via de acesso ao centro. Não consegui localizar o que seria o terreno hoje. O mais próximo do que supunha ser está marcado na vista aérea do Google. Se for está incrivelmente vazio até hoje. Fora o passeio a Natal, conhecer pessoas como o senhor que fotografava vistas aéreas (pré google) montado em um ultraleve e vendo através deste vuelo de pájaros não só áreas como esta mais o incrível litoral norte.

Além da localização, aprendi sobre a necessidade da preservação das dunas com a criação do Parque das Dunas e de onde vem o vento e também ali embaixo, no subparque, uma grande reserva de água doce abastece Natal ou parte. Outra coisa interessante era considerações do bombeiro sobre a direção dos ventos e onde preferencialmente se deveria locar as varandas, com ganchos para cordas de resgate e, também o mercado fazia sugestões (pelo menos nos sugeriu)de projetar andares com três apartamentos no lugar do comum 2 ou 4 por andar, de forma a evitar o apartamento norte/oeste que tinha menos valor e climaticamente era uma tragédia. O sol passa quase sempre a pino por ali sendo a proximidade da linha do Equador a causa como também a incrível pontualidade de nascer as cinco ou cinco e pouco e morrer doze horas depois. Uma outra curiosidade é o terreno, uma antiga chácara com uma construção modernista como sede, com um grande quintal, cheio de árvores e uma predominância incrível de manacás e ali soubemos que o manacá faziam parte do patrimônio vegetal do lugar e não poderiam ser eliminadas. Ainda é assim? Não sei, espero.

Vejam, vento quase sempre da mesma direção e constante, sol pontual e constante, vista para as dunas e manacás tombados, junta-se a isto a cultura do lugar (povo, hábitos, custos, tudo) e para o arquiteto sobra a competência de ser coerente com tantas dicas. Acho que o mundo tá assim, quem quer percebe as dicas que ele dá.

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