DE BOCAGE A ITAIM

Uma realização Aurinova/Tucuman, na Rua Fiandeiras e de nome Celebration.Não sou de ficar reclamando das idiotices projetadas para o mercado imobiliário com seus termos inglesados ou afrancesados, seus novos espaços (garage band, pet ground, massage room, gourmet space e etc.) mas ontem lendo a folha (lendo a folha?) este reacionário jornalzinho paulista me deparei com um dos mil(s) anúncios anunciando estas maravilhas projetadas por sortudos arquitetos e me entusiasmei em escrever estas bobagens com ajuda de um amigo português sinônimo de boca suja (mas não é).

Vejamos: o anúncio prega a ideia de um apartamento tão superior que eles só vão lhe mostrar quando pronto (ótimo, segurança contra malandragens), 01 por andar, suite face norte (não entendi se é bom ou ruim) etc e etc e lá embaixo Banho Senhor e Senhora. Pensei, quem sabe ser uma questão higiênica, ou etária ou simplesmente sobrou espaço mas não, logo abaixo vem a explicação: este é um edifício neoclássico. Explicação? No neoclássico tomava-se banho? e se tomava, os homens separados das mulheres/ e se sim mesmo em pleno exercício sexual? e sim tirando a roupa toda ou ficando de ceroulas? Acho que é isso, é para um não ver a ceroula do outro. Ao lado a perspectiva meio noturna, entardecendo (virou macete do mercado imobiliário esta coisa meio acesa, vá saber!) com um top afrancesado e para mim nada de neoclássico. Importa? Claro que não, o comprador também não sabe. O que me fez então preocupar com este anúncio? Um é que normalmente o arquiteto não bota seu nome em projetos para o mercado como se fosse algo a parte, necessário mas não divulgado e outro que este o arquiteto colocou seu nome (veja depois no álbum anexo) e mais ainda com sua especialização: O NOME MAIS REPRESENTATIVO DA ARQUITETURA NEOCLÁSSICA NO PAÍS. Pô ô meu, é coisa prá caramba e então fui pedir ajuda (para ver se estava entendendo isto) ao meu amigo BOCAGE, velho poeta neoclássico, português de boa índole, sobre este estilo arquitetônico e ele me respondeu com alguns versos e um soneto na tipologia informal roman (não encontrou no seu PC letras neoclássicas o que o fez enfurecer e contar uma piada podre não publicada pelo facebook) como estes abaixo:

Uma necessidade, não um crime

Qual a impostura horrisona pregoa.

Ceos não existem, não existe inferno.

O prêmio da virtude he a virtude;

He castigo do vicio o proprio vicio.

Ceos! Que infâmia! Que horror! Prosegue, ó Filha,

Sucumbio a Innocencia á vil proposta?

e o soneto:

Quando meu coração de Amor vivia,

 Ufana a liberdade em ver-se escrava,

 E quando para mim se variava

 O Ceo n’um riso, o Ceu n’um ai de Ulmia!

Das escuras Irmans a mais sombria,

 E que mais com seu pêzo o Mundo aggrava,

 Na vista divinal, que me encantava,

 Roubou luz á minha alma, e luz ao dia.

Não mais, Dor, Fado meu, Dor, meu costume,

 Cedo a paz gozarei, que o peito anhéla,

 Nos olhos do meu Bem, do Ceo já lume;

Junto á Nynfa immortal, na Estancia bella,

 Os dias perennaes, que vive hum Nume,

 Irei (Nume em ser seu) viver com Ella.

e me disse, faz ai uma tradução do meu português para o francês (já que o cara gosta, vejo pelo acabamento la do alto do prédio) e já que ele acha que isto é neo quem sabe a gente também não faz uma translate também do google do francês para o grego porque aí o cara começa meio que pela origem, frontões, cariátides e jovencitos tomando banho junto com o senhor?!!! Não aguentei, aplaudi (o cara é muito mais crítico e sacana do que a gente).

Então vai lá, francês do google e grego do google do francês do goolge. Pavorosa mistura mas não parece com o predinho do especialista?

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