Entrevista a Valério Fabris

Fotos de Danilo Viegas

“Não serve pra nada uma cidade sem vida no chão”

Sylvio de Podestá critica a arquitetura do espetáculo e do vazio, que ignora a vitalidade urbana, a paisagem e a história do lugar

Foto de Danilo Viegas.

Há dois anos atrás fui entrevistado pelo Fabris aqui no meu escritório sobre temas diversos para a revista Bares e Restaurantes e, autorizado, reproduzo aqui neste meu novo espaço. Nestes dois anos algumas coisas mudaram e dentre elas não tenho mais 64 anos e o Via Cristina, infelizmente, fechou. Outra questão é sobre Milton Keynes e outras cidades jardins, verdes, criadas para desafogar os grandes centros como Londres, Paris e etc. Não se deram bem. Hoje grandes estruturas comerciais, por exemplo, estão falidas e as cidades são redutos exclusivistas, o que pode ser visto no artigo As decepcionantes cidades novas da Grã Bretanha por Leonard Downie Jr.

http://aliciapatterson.org/stories/disappointing-new-towns-great-britain

O resto acho que ainda manda bem.

Ele mora no Santo Antônio, um dos bairros mais tradicionais de Belo Horizonte, onde as antigas moradias vêm gradualmente sendo substituídas por prédios. Mas o arquiteto Sylvio de Podestá, 64anos, não abre mão de trabalhar e de morar em casa, uma em frente da outra. Nas tardes das terças e sextas, caminha menos de cem metros, indo ao encontro
de um grupo de amigos, no sobrado do Via Cristina Bar, Cachaçaria e Casa de Carnes.

“Sylvio é o botequeiro sustentável, com hora de começar e parar, mantendo a conversa no prumo”, diz um dos integrantes da turma. Gosta de gente e de, no centro da mesa, uma cerveja. Tanto assim é que montou um bar já no salão de entrada do seu escritório, igualmente um sobrado, com muro de pedra.
Cedeu algumas salas da grande casa para pequenos empreendedores do design e da cultura. O bar é franqueado a todos. Há o mesão comunitário. Cada um pega a sua bebida, anota e acerta no final do mês.
Mas o arquiteto não fica preso ao Santo Antônio. Participa em outras rodas de bate-papo nos bares do centro, de outros bairros antigos, como Floresta e Santa Efigênia. Marca presença, ainda, no Bar do João, que funciona há 20 anos na Savassi, e é um misto de
reduto popular e alternativo, frequentado pelos ativistas da cultura e trabalhadores do lugar, inclusive flanelinhas.

O que Sylvio de Podestá mais aprecia é o “chão da cidade”. A sua arquitetura é a que busca o diálogo com a rua e a harmonia com o ambiente urbano.
Com perto de trezentos projetos de edificações, a sua obra mais conhecida foi feita em parceria com o arquiteto Éolo Maia (1942-2002). Ficou conhecida como Rainha da Sucata, porque nela utilizaram-se, como revestimento, chapas com oxidação controlável, tendo o aspecto de ferrugem. Inaugurada em 1992, hoje abriga a administração do Circuito Cultural
Praça da Liberdade. Podestá concedeu esta entrevista no bar de seu escritório, alternando cervejas artesanais, incluindo nesse carrossel a Wäls, produzida em Belo Horizonte.

Onde se localiza o primeiro e mais evidente sintoma de uma boa cidade?
É no chão. Pode-se ter uma cidade com os mais belos prédios do mundo, com passeios bonitos e praças. Mas isso tudo não serve pra nada se não há a cidade no chão. Esses novos bairros e as novas áreas que você vê, tipo as da Avenida Berrini, em São Paulo,
do cais de Londres, das novas torres de Madri, ou o Belvedere, aqui em Belo Horizonte, são uma ilusão. Não há cidade aí. O cara sai da garagem do seu escritório, pega uma autopista, entra em outra garagem, e está em casa. O que existe ali é parecido com Los Angeles. Ao lado do estacionamento do prédio em que mora, há um vendedor de churros; lá adiante, há um restaurante mexicano, um cachorro quente qualquer, e, no mais, aquela vastidão de asfalto de prédios.

Qual o contraponto a isso?
É flanar e ver o flanador. É sentar em um bar ou café e ver as pessoas passarem. É o melhor jeito de ver, conhecer e sentir a cidade. Mas há, entre os que fazem uma cidade sem chão, uma ojeriza por música e mesa na calçada. É o melhor lugar para se conhecer
uma cidade, olhar quem passa: que roupa veste, se caminha depressa ou devagar, se nas roupas daquele lugar predomina o colorido ou não, se tem mais homem ou mulher, e o cara que anda por ali está meio à toa ou apressado.

Você acha que essa gestão urbana, voltada para o pedestre, pode ser aplicada em qualquer cidade?
Pode ser aplicada em qualquer lugar. Tenho um amigo que, tempos atrás, foi à Noruega, um país com um inverno extremamente rigoroso. E esse amigo mecontou o seguinte. Mesmo no frio, fecharam uma rua e puserem, do lado de fora, esses equipamentos de
aquecer, e liberaram toda a parte debaixo para o comércio.
Os predinhos são de uns seis andares, como em Paris, sendo os dois primeiros andares de serviço. O resto é moradia. O cara senta em volta daquele aquecedor, toma um vinho ou uma vodca, e a rua está dominada.

É uma cidade que funciona de dia e de noite, apesar do frio.
A partir da energia elétrica e da iluminação pública, no início do século passado, a vida urbana tornou-se apta a conquistar a noite e a madrugada. A cidade passou a ter quatro tempos: manhã, tarde, noite e madrugada. Antes, só havia dois tempos. Se você vai a
um lugar que se fecha nos dois tempos, está se tirando uma das maiores conquistas do homem. Nova York e Copacabana funcionam sem parar. É isso que faz com que haja a mistura de tudo. No chão de Manhattan tem livraria, universidade, bares, restaurantes.

E a questão das escalas, da opção por prédios altos ou por casas?
Tem que se considerar a história do lugar. Isso é superimportante. Vamos pegar o exemplo deste bairro (Santo Antônio), aqui onde estamos. Há casas, aqui, que vêm de trinta ou quarenta anos. Pode-se adensar, mas tem de se pensar na cultura do lugar. Se eu coloco
dez andares, e depois coloco ao lado mais 13 andares, acaba com toda essa história. Onde estamos conversando, neste momento, há vista, há vento, há insolação.
Mas o correto é se colocar um prédio em um local e, com afastamento maior, colocar outro mais adiante. Tudo isso conforme a topografia, a cultura paisagística, o vento, o sol. A arquitetura tem de sempre considerar o contexto. O que não se pode é colocar um objeto isolado. Nós arquitetos aprendemos a projetar o objeto, em vez de projetar a cidade. Acho
que o modernismo brasileiro tem um pouco de culpa nisso, que é fazer o objeto isolado, desconsiderando o contexto. O arquiteto precisa saber o momento em que ele é o protagonista e o momento em que ele é coadjuvante.
O que o arquiteto não pode nunca perder de vista é que o seu cliente é a cidade.

O que você quer dizer é que uma edificação tem de se equilibrar e se harmonizar com o seu entorno.
Veja Ouro Preto. Uma caminhada pela cidade nos ensina, o tempo todo, que há a hora de ser protagonista, e há a hora de ser coadjuvante. Se você sai da Casa dos Contos e vai para a Igreja do Rosário, por exemplo, vê que há, entre um ponto e outro, pequenas casas de dois andares, anônimas, porque ninguém sabe quem projetou aquilo. Vai andando, andando até o Largo da Alegria, e lá mais a frente está a Igreja do Rosário daquele tamanho, linda. E, do outro lado, está a Casa dos Contos e, logo depois, o seu chafariz.

Às vezes uma edificação parece detonar um processo de grandes desequilíbrios.
Um dos maiores absurdos cometidos nos últimos séculos, em Minas, é a Cidade Administrativa (inaugurada em 4 de março de 2010), que foi construída no vetor Norte de Belo Horizonte, bem longe da área central, juntando lá 16 mil funcionários públicos, em um projeto encomendado a Oscar Niemeyer. Quem fez isso quis dar uma de Juscelino
Kubitschek, que, em 1943, como prefeito, inaugurou a Pampulha (uma área urbanizada, às margens de uma represa, com um conjunto de obras projetadas por Niemeyer). Juscelino fez numa escala pequena. E hoje a Pampulha é Patrimônio Cultural da Humanidade (título dado pela Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura,
a Unesco), enquanto a Cidade Administrativa não é patrimônio de nada. O que se quis foi levar o crescimento da cidade para aquele vetor, atendendo-se a uma sugestão do Sinduscon (o Sindicato da Construção de Minas Gerais). Esvaziaram o centro, onde
tinha tudo. Acabaram com várias dezenas de comidinhas a quilo, e, também, com não sei quantos botecos, em que o sujeito esperava o ônibus, depois das seis da tarde.

Parte do Escritório de Arquitetura Sylvio de Podestá, foto por Danilo Viegas.

E o centro, como está?
É para mim o melhor lugar da cidade. Está se recuperando devagarzinho. Tem muitos jovens indo morar lá. Há pontos aglutinadores, como o Sesc Palladium (com teatro, cinema e pequenas salas para shows e exposições), o Shopping Cidade (que é tem o desenho de uma galeria comercial ligando quarteirões), a Imprensa Oficial, o Mercado Central, o Edifício Maletta (com um dos mais tradicionais bares da cidade, e, também, com lojas de livros antigos, escritórios), o Museu Inimá de Paula, o Cine Theatro Brasil, o Centro de Referência da Moda. E assim por diante. Junto ao Centro, há a Praça da Estação,
a Serraria Souza Pinto (transformada em uma área de eventos). O que está faltando é a gente, durante a noite, poder andar por li mais descontraidamente.
Ainda há poucas moradias no centro, tornando as ruas mais vazias depois que o comércio fecha.

Belo Horizonte, como a grande maioria das cidades brasileiras, ainda é muito dividida por classes sociais, o que é mais um fator impeditivo às ruas de múltiplas convivências.
Somos preconceituosos, sem admitir que somos preconceituosos. Se somos ricos, temos preconceito dos pobres. Se somos médios, temos preconceito dos ricos e dos pobres. Isso só vai ser superado com a mistura urbana, com uma cidade que favoreça as aproximações entre as pessoas. Aqui onde moro, no Santo Antônio, há um conjunto de antigas favelas na
vizinhança. São cinco conglomerados. A que fica mais perto do meu entorno é a Vila Estrela. Vou lá com alguma frequência. É muito fácil notar que o relacionamento entre eles é bem mais intenso do que entre os moradores deste lado de cá, que mal se conhecem.
O resultado é que conheço mais gente lá do que aqui. Isso é uma loucura. Mostra que há uma deformação cavalar. Na Vila Estrela os vizinhos conversam, um ajuda a vigiar a casa do outro, eles batem papo no portão, cumprimentam-se, dão um alô, um tchau.
Precisamos resgatar isso, em toda a cidade. O desenho urbano tem de favorecer a mistura, as interações.
Quando falo no chão da cidade, é isso a que me refiro.

Há a região da Savassi, que se equivaleria aos bairros de Pinheiros e Vila Madalena, em São Paulo, ou a Ipanema, no Rio. É, excepcionalmente, uma área de mais convívio.
O que falta à Savassi é uma boa gestão. Começaram a realizar grandes eventos, que não cabem na escala do urbanismo da região. Isso ocorreu na Copa do Mundo.
E acontecem alguns shows. Ocorre uma ocupação desproporcional, que deveria ser levada para a Praça da Estação, que tem uma área bem maior e mais adequada. À Savassi falta gestão, faltam pequenos palcos, um tratamento que seja compatível com a dimensão desse lugar.

E aí voltamos à questão que você chamou a atenção, como a arquitetura em conformidade com a cultura, a história e a paisagem do lugar, porque o cliente é sempre a cidade. Isso vale, também, para a adequação de shows, de espetáculos ao ar livre.
Exatamente. E, a propósito, me lembro de que assisti ao festival de jazz de Nova York. Ocorriam muitas apresentações simultâneas, em diferentes lugares, para pequenos públicos. Aconteciam na rua, na New York University, em uma escada, em uma praça,
num bar qualquer. E tinha, à noite, uma apresentação para o público maior, na arena do Madison Square Garden. E tinha um show do João Gilberto, em escala menor. E, assim, se apresentavam Stan Getz, para umas duzentas pessoas. Do mesmo modo, havia o show de Airto Moreira e Flora Purim. A Virada Cultural, no centro de Belo Horizonte, é genial. As
quatro da manhã tem gente andando pra lá e pra cá. E há shows menores, distribuídos pela cidade. No caso do carnaval da Savassi, tem de ter os blocos, que se distribuem pelas ruas.

Com a proliferação de condomínios, sobretudo no vetor Sul de Belo Horizonte, na saída para o Rio de Janeiro, uma das vias que corta a Savassi, acabou se tornando um corredor de trânsito intenso e quase ininterrupto.
É uma tragédia a subida para a BR-356 (saída para Ouro Preto e o Rio de Janeiro). O Jardim Canadá (situado no município vizinho de Nova Lima) foi a primeira tentativa de se fazer um bairro fora de Belo Horizonte, nele construindo-se casinhas modernistas.
Ficou parado a vida inteira. O que fizeram, depois, foi o condomínio Retiro das Pedras. Foi a primeira abordagem de um condomínio residencial, exclusivo. Entrou um punhado de gente meio riponga. Hippies, mas hippies ricos, em casa de madeira, pedra. O que aconteceu, a seguir, é que a região encheu de condomínios. As mineradoras descobriram que o solo valia mais do que o que estava no subsolo (minério de ferro). Entraram com força no negócio. O que esses condomínios fizeram com Belo Horizonte é uma covardia.

Por quê?
Ora, se o cara vai morar num condomínio, lá longe, porque é escritor, poeta, artista plástico, e quer se isolar para refletir e trabalhar, tudo bem. Vai ficar lá sossegadinho, morando bonitinho. Mas, não. O sujeito mora lá, com a sua família, e trabalha em Belo Horizonte. A mulher dele, também. Os filhos estudam em Belo Horizonte. Então, é aquele vaivém sem fim. Vem para a cidade todos os dias, joga fumaça no ar, entope o trânsito, deixa na cesta seu lixo diário, e volta correndo pra lá, virando as costas para todos os problemas que ajudou a criar. Sequer frequenta um bar ou restaurante da cidade, porque tem o seu clube, piscina e quadra de tênis no condomínio. Não faz parte de nenhuma associação de bairro, nem de vai a reunião de sindicato, a não ser da FIEMG (Federação das Indústrias de Minas Gerais).

Você é um crítico da cidade concêntrica, que não para de crescer em camadas justapostas.
A cidade não para de crescer porque a indústria imobiliária não quer que ela pare de crescer. O Plano Diretor é quase um mapeamento indicando para onde o mercado
deve ser levado. E aí, quando o trânsito fica insuportável, o planejador diz assim: a gente alarga. É o que se fez com a Avenida Antônio Carlos (em direção ao aeroporto de
Confins e à Pampulha). Nós temos as mesmas ruas da década que Belo Horizonte foi inaugurada. Como é que se pode pensar em um lugar crescendo, indefinidamente, com as mesmas ruas. E aí alargam as avenidas, abrindo rios de automóveis. Para onde quer que
se vá, tem de se atravessar rios caudalosos. Para subir em direção aos condomínios, ao Retiro das Pedras ou Alphaville, é um horror. E vão criando cisões na cidade, cortando
os bairros ao meio. Este é um dos muitos e muitos exemplos semelhantes: criaram uma cisão muito grande no bairro da Lagoinha, dividindo-o em duas partes. É
uma cicatriz vagabunda, terrível, violenta.

Qual é a saída?
Criar novos polos urbanos. Como Londres fez, na década de 1970, criando cidades novas, como Milton Keynes (a partir de um povoado com o mesmo nome), a 70 quilômetros
de distância. Paris também fez isso. Criou polos afastados e autônomos, com vida própria. Isso poderia ser feito nas cidades hoje dormitórios da região metropolitana de Belo Horizonte, como Santa Luzia, Ribeirão das Neves, Juatuba. Lá já tem boteco, o pequeno hotel, a farmácia, o supermercado. Mas o que temos é o pessoal do condomínio
morando lá, bem distante, e vindo trabalhar em Belo Horizonte, sem qualquer relação cidadã. O justo é que houvesse uma mobilidade trocada. Que a população de Belo Horizonte tivesse, também, acesso, as cidades, que substituiria o exclusivismo residencial dessas ilhas de condomínio. Poderiam ser convertidas em polos urbanos, com atividades
variadas, com um adensamento bem feito. Aí, poderia ir lá, desfrutar também do lugar, como os londrinos podem ir lá, desfrutar também do lugar, como os londrinos quando vão à nova cidade de Milton Keynes.

O que nos falta para que aconteça isso também por aqui?
O planejamento metropolitano. Para tanto, o conjunto de cidades de ter uma gestão compartilhada. Como é que se compartilha a gestão se os prefeitos olham as cidades a partir dos interesses de seus grupos de sustentação? É um prefeito que quer tocar a cidade como se estivesse tocando a sua empresa. É outro que está vinculado a uma determinada
igreja. O outro é apenas um dono de açougue. E, assim, inventam-se coisas de uma burrice cavalar, como um arquipélago de condomínios, projetando-se um aeroporto para
que o avião desça ali na porta. São pessoas que comandam as cidades somente a partir de seus interesses pessoais.

Você acha que estamos irremediavelmente condenados a isso?
Sou super crédulo. Vejo, por exemplo, um sinal de trânsito, em que, quando se acende o vermelho, 98% dos motoristas param, seja ele quem for, até mesmo um bandido, um cara bom, qualquer um. Haja possibilidade de multa ou não. Isso é algo maluco. Acho que muitas atitudes parecidas com esta vão acontecer: parar de jogar lixo na rua ou gastar menos água. Mesmo que no início as pessoas se sintam pressionadas, por alguma imposição legal, como pedágio urbano, depois essas atitudes entram no costume.
É como o regime. Muita gente passou a comer mais alimentos orgânicos, depois de movimentos como o Slow Food. Essas coisas estão acontecendo de montão. O exemplo, em Belo Horizonte, são os meninos que fizeram ocupações debaixo dos viadutos, que gramaram a Rua Sapucaí (bairro Floresta). Essa gente nova está se encontrando nos botecos e nas redes sociais, está debatendo quinhentos milhões de assuntos, sempre querendo melhorar alguma coisa. Foi feita uma super campanha para a Câmara Municipal
se renovar. E se renovou em 60%. Há uma renovação geral que começou a acontecer. E ela vem de baixo.

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