Memorial Dom Silvério

Nascido em Congonhas do Campo, menino pobre, padre, bispo e primeiro arcebispo de Mariana assim caminhou na sua vida Silvério Gomes Pimenta.

Semeador de escolas, Profeta Negro, extraordinário intelectual são apenas algumas das alcunhas proferidas a este cidadão congonhense.

Na sua trajetória, dizem seus biógrafos que “durante toda sua vida, a pobreza foi sua inseparável companheira. Primeiro a pobreza forçada e depois voluntária…” o que não o impediu de implantar escolas por todo o Estado de Minas, “instruindo o povo, verberando contra a dissolução dos costumes, legitimando concubinatos, convidando o povo para voltar a seu Deus.”

Estas ações demonstram a crença férrea nos seus princípios reforçada por textos “… que brotavam de seus lábios eloquentes” ou “…enquanto tivermos a palavra que os tiranos não podem arrancar-nos, havemos de clamar contra a iniquidade.”

Estas rápidas considerações se juntam ao estudo do escultor Luciomar Sebastião de Jesus, mestre do bronze, onde através de três imagens retrata minimalmente toda a vida de Dom Silvério: o menino estudando sob a luz de lamparina, Dom Silvério padre e educador e Dom Silvério Arcebispo. Para acolher esta ideia e a dos seus historiadores projetamos um espaço localizado perto de onde acredita-se morou Silvério que dali caminhava até Congonhas para estudar, local que naturalmente nasce como promontório marcado hoje por pedras que afloram, mirante do vale onde se situa a cidade, acessado por uma nova via, dupla e urbanizada, atual avenida do Contorno Norte que foi implantada com a finalidade também de ajudar na promoção da expansão urbana prevista no Plano Diretor Municipal, ancorada pela futura praça de Eventos, condomínios empresariais e residenciais dentre outros equipamentos.

O memorial aqui proposto nasce como um mirante, um ponto onde se pode descortinar o horizonte numa clara citação a esta vida visionária de Dom Silvério que o leva de uma situação de total carências ao arcebispado e é deste continuum que fazemos aqui o registro através de um espaço composto por um piso ascendente que se inicia áspero e o caminhar nos leva a uma ponta aguda, de piso liso, o mirante. No reforço desta imagem simbólica e ainda no piso, uma gráfica linha do tempo, como um raio de luz, textualiza esta caminhada.

Seguindo na composição do lugar uma poderosa placa de concreto bruto se ergue aos céus, afunila-se no topo qual mão em prece. Na sua parte inferior, também em ascensão, uma base em granito recebe as três representações de Luciomar, sequência cronológica dos momentos de Dom Silvério por aqui.

Estes elementos dispostos assim configuram um pátio que poderá ser utilizado para encontros diurnos como pequenas missas ou palestras, parada de passeios turísticos e, noturnos, para ver as estrelas e a cidade iluminada.

É este o MEMORIAL A DOM SILVÉRIO. E se os dicionários dizem ser memorial um monumento erguido em homenagem ou memória de algum acontecimento ou pessoa; ou uma instituição permanente, de interesse geral, voltada para a preservação e propagação de informações históricas compostas de dados, documentos e imagens relativas a pessoas, instituições ou lugares, aqui, mais do que isto, está implícito emoções visuais e emocionais que elevam estas memórias a um patamar além dos significados formais passando a significante, tangível.

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